Relato de experiência sobre a realização de um curso de ferramentas tecnológicas de apoio ao ensino básico
Keywords:
Ferramentas tecnológicas, Ensino básico, Formação continuadaAbstract
Durante a pandemia de COVID-19 foi possivel observar um aumento na demanda por soluções tecnológicas, tanto no desenvolvimento de programas, quanto na formação de pessoas para que elas pudessem realizar seus afazeres diários de forma mais eficiente com o uso de programas [EPTV 2021]. A maioria dos professores, em especial, não recebeu formação especifica na utilização de recursos tecnológicos, e isso, muitas vezes, dificultou a execução de atividades que deveriam ser rotineiras.
De acordo com Bittencourt e Albino (2017), um dos desafios encontrados pela sociedade e instituições de ensino é a falta de conhecimento e treinamento em midias digitais de toda comunidade acadêmica. Esse pode ser um dos fatores que têm contribuído para a não utilização adequada das novas tecnologias disponíveis nas atividades de ensino e aprendizagem.
Bittencourt e Albino (2017) também destacam que a melhora do processo de aprendizagem e familiarização dos estudantes (c professores) com novas tecnologias exigem desenvolver competências.
Nesse sentido, com a educação atuando como base fundamental do processo de desenvolvimento do ser humano, surge a necessidade de oferecer formação continuada aos professores para que possam utilizar as tecnologias existentes de forma a melhorar o processo de ensino e aprendizagem. Desse modo, foi desenvolvido um curso remoto com o objetivo de oferecer treinamento em ferramentas tecnológicas de apoio aos docentes do ensino básico em uma parceria da prefeitura de Angélica - MS com o Instituto Federal do Paraná (IFPR) - Campus Paranavai.
A prefeitura em questão entrou com aporte financeiro para a seleção de uma bolsista durante o periodo de seis meses. Após o processo seletivo, foi selecionada uma estudante do 4° ano do Ensino Médio Integrado ao Curso Técnico em Informática do IFPR - Campus Paranavai, que atuou na preparação dos materiais didáticos, no acompanhamento das aulas sincronas, no atendimento dos participantes, na elaboração e correção das atividades avaliativas, entre outras atividades.
Para seleção dos participantes, foi disponibilizado um formulário de inscrição online aos interessados por meio dos grupos de professores dos CMEls e escolas do ensino fundamental, e da divulgação do projeto pelas redes sociais. Foram selecionados participantes de quatro escolas por ordem de inscrição, visto que foram oferecidas 50 vagas. Após o processo de seleção, foi criado um grupo no Whatsapp com todos os docentes - que, inicialmente, era composto por quarenta e nove pessoas. O grupo foi criado para, primeiramente, sanar dúvidas quanto a metodologia das aulas e a plataforma que seriam transmitidas. Desse modo, no dia 05 de abril de 2022, as aulas foram iniciadas.
As transmissões das aulas foram didaticamente planejadas de acordo com um cronograma previamente estabelecido - para que a interação entre professor e participante fosse análoga à interação presencial. Durante as aulas introdutórias, realizadas duas vezes por semana fora do horário de trabalho, os participantes foram estimulados a interagir sobre os conteúdos tratados e sobre as principais dificuldades tecnológicas enfrentadas recorrentemente.
Nas primeiras aulas
foi observada a extrema dificuldade dos
participantes, visto suas estranhezas as ferramentas tecnológicas e aos conhecimentos básicos de utilização de um computador pessoal.
A plataforma Google Meet, utilizada para a transmissão dessas aulas, foi escolhida por ser composta por instrumentos de socialização diretos (onde há a possibilidade de conversação e visualização por meio de microfone e câmera, respectivamente) e indiretos (onde há um campo destinado a comentários textuais sobre a aula e demais assuntos). Além de outras funcionalidades, o ambiente virtual também possibilita que todos os participantes compartilhem a tela do computador, o que possibilita a rápida e fácil resolução de problemas técnicos enfrentados.
Como ambiente virtual de aprendizagem (AVA), a plataforma Google Classroom foi escolhida. Essa ferramenta foi apresentada em uma aula expositiva. Todos os materiais didáticos produzidos para o curso foram disponibilizados no AVA, bem como exercícios disponibilizados ao concluir um conteúdo exposto. As respostas dos exercícios foram coletadas por meio de formulários com perguntas e respostas dissertativas e objetivas.
No decorrer das aulas e no desenvolvimento das atividades foi perceptível a dificuldade dos participantes em executar as atividades práticas sobre as ferramentas e em concluir os
exercicios propostos. Dessa forma, foram realizadas alterações no
cronograma original que visavam valorizar, principalmente, o entendimento dos docentes em relação ao conteúdo. Portanto, as aulas de quinta-feira foram modificadas para serem atendimentos coletivos em relação às dúvidas dos participantes.
Ao final do primeiro módulo, no dia 24 de maio de 2022, com certificação de conclusão de cinquenta por cento do curso, dos quarenta e nove participantes, apenas dezoito estavam aptos a receber a emissão do certificado. E, ao final do segundo módulo, no dia 07 de julho de 2022, apenas dezesseis docentes obtiveram a certificação total do curso.
Durante o intervalo entre o final do primeiro módulo e o início do segundo, foi disponibilizado, no grupo dos docentes e na plataforma Google Classroom, um formulário (por meio da plataforma Google Forms) de satisfação do curso. Nesse formulário, foi questionado as possíveis causas que levaram os participantes a saírem do curso, as dificuldades quanto às funcionalidades das ferramentas de cada conteúdo e sugestões para o melhor andamento do curso. Dentre os comentários feitos pelo participantes que não foram identificados no envio de suas respostas, alguns relataram dificuldades em acompanhar as atividades propostas e deram como sugestão para que o curso fosse presencial.
Apesar da baixa porcentagem de concluintes do curso, é importante salientar que, se tratando de um município com cerca de 11.081 habitantes - segundo a estimativa Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE 2011], o projeto propiciou novas oportunidades de aprendizagem de habilidades sobre o meio digital, além de servir de base para o entendimento tecnológico sobre a organização e funcionamento das atividades pedagógicas atuais.
Dessa forma, o curso cumpriu com seu objetivo de trazer novas perspectivas sobre as tecnologias digitais e servir de auxílio didático para os docentes da educação básica que buscavam entender as funcionalidades tecnológicas que são indispensáveis atualmente. Além disso, a partir da execução deste projeto, foi possível observar o quão necessário é fornecer formações continuadas aos professores, principalmente os com maior tempo de serviço.
Espera-se que novas formações possam ser realizadas com os professores do município em questão e que os materiais produzidos durante os seis meses de projeto possam ser disponibilizados para a comunidade externa. O fato de o curso ter sido projetado em forma de módulos, possibilita que outras cidades possam ser atendidas, principalmente aquelas pertencentes a região geográfica atendida pelo IFPR - Campus Paranavai.
Além do formulário disponibilizado, foi perguntado individualmente aos desistentes, os motivos que os levaram a sair dele. Dentre esses motivos, alguns participantes relataram dificuldades em continuar nas aulas por não serem presenciais, e, como uma possível causa de desistência, seria o fato das aulas não serem contabilizadas como tempo de serviço.
References
BITTENCOURT, P. A. S.; ALBINO, J. P. (2017) O uso das tecnologias digitais na educação do século XXI. Revista Ibero-americana de Estudos em Educação, Araraquara, p. 205-214. DOI: 10.21723/riaee.v12.n1.9433. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/iberoamericana/article/view/9433. Acesso em: 10 out. 2022.
EPTV. (2020) Coronavirus: empresas de tecnologia da região registram alta de até 60% na demanda em meio à pandemia. EPTV Campinas, 28 de mar. de 2020. Disponível em https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2020/03/28/coronavirus- empresas-de-tecnologia-da-regiao-de-campinas-registram-alta-de-ate-60percent-em- meio-a-pandemia.ghtml. Acesso em 10 de out. de 2022.
IBGE. (2017) Panorama: Brasil / Mato Grosso do Sul / Angélica. IBGE. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/ms/angelica/panorama. Acesso em: 10 de out. de 2022.
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