Desenvolvimento de um Protótipo de Jogo RPG de Ação na Plataforma Unity
Um Estudo Utilizando Metodologias Ágeis
Keywords:
Desenvolvimento de Jogos, Unity, Metodologias ÁgeisAbstract
O presente estudo descreve o desenvolvimento de um protótipo não funcional de um jogo Role Playing Game (RPG) de ação, realizado como parte do curso de Engenharia de Software do Instituto Federal do Paraná, Campus Paranavaí, durante o segundo ano do curso. O objetivo central deste projeto foi aplicar os conceitos e técnicas aprendidos ao longo do curso na prática, explorando o desenvolvimento de jogos como um desafio multidisciplinar que combina programação, design e criatividade.
Os jogos de RPG são um gênero que envolve interpretação de papéis, permitindo que os jogadores encarnem personagens fictícios e se aventurem em mundos imaginários. Conforme SÁ e PAULUCCI (2021), o RPG é como um teatro de improviso, onde o mestre tem por função manter os jogadores entretidos com a história de forma que eles queiram permanecer ali. Além disso, todas as regras, cenários e demais narrativas são realizadas pelo mestre, todavia, as ações e decisões do jogador influenciam nas consequências que virão ao longo da história.
Esses jogos têm a capacidade de transcender gêneros, abrangendo desde a ficção à fantasia, passando pelo terror e a ficção científica. Eles podem ser jogados em diferentes plataformas, como computadores, consoles, celulares e até mesmo em seu formato clássico com lápis, papel e dados. Alguns exemplos notáveis neste gênero incluem Dungeons and Dragons, The Witcher, Baldur’s Gate e Diablo.
A ideia de desenvolver um jogo no estilo RPG parte do princípio que o mesmo pode ser utilizado na área de educação, pois conforme Rosa et al. (2021), em seu artigo onde a mesma, em conjunto com outros dezessete (17) professores de escolas públicas de Brasília, realizaram sessões de RPG e refletiram sobre suas possibilidades pedagógicas, concluíram que o mesmo pode contribuir para o desenvolvimento de competências e habilidades dos estudantes. E por conta da flexibilidade criativa que o RPG nos proporciona, podemos inserir questões de cunho acadêmico no qual o jogador deve responder de maneira correta para que o mesmo avance na história do jogo.
Para que fosse possível dar início ao projeto, foram aplicados princípios relacionados à Engenharia de Software, como o levantamento de requisitos, definição de histórias de usuários e a criação de diagramas de caso de uso. O levantamento de requisitos permitiu à equipe compreender claramente as funcionalidades necessárias para o jogo, levando em consideração as expectativas dos usuários e os objetivos do projeto.
A partir da definição das histórias de usuário, as interações pretendidas e os caminhos narrativos desejados foram melhor estabelecidos. Tal fato propiciou o desenvolvimento do que se acredita ser uma experiência mais envolvente para os jogadores. Além disso, a elaboração dos diagramas de caso de uso proporcionou uma representação visual mais clara das interações entre os usuários e o sistema, o que também garantiu uma comunicação eficaz entre os membros da equipe e uma compreensão aprofundada dos requisitos funcionais do jogo ao longo do processo de desenvolvimento.
A escolha das metodologias ágeis, particularmente as abordagens Scrum e Kanban, desempenhou um papel fundamental neste projeto. Embora o Scrum possa não ser a primeira opção quando se pensa em desenvolver jogos, Schell (2019) argumenta que as metodologias ágeis são valiosas por sua ênfase na criação de ciclos de repetição, na manutenção da prototipagem e da avaliação de riscos como componentes centrais em cada iteração. Isso proporcionou um progresso significativo em cada fase do desenvolvimento. A aplicação prática do Scrum permitiu a criação de iterações de desenvolvimento bem definidas, enquanto o uso do Kanban facilitou o acompanhamento contínuo do progresso do projeto. A integração dessas metodologias trouxe clareza ao processo de desenvolvimento e promoveu a colaboração eficaz entre os membros da equipe.
O desenvolvimento do jogo trouxe consigo uma série de desafios complexos. Desde a criação de modelos 2D até a implementação de mecânicas de jogo intricadas, a equipe enfrentou obstáculos significativos ao longo do caminho. No entanto, é importante destacar que, graças ao trabalho em equipe e à aplicação das metodologias ágeis, bem como o suporte dos professores, esses desafios estão sendo superados com sucesso.
O processo de criação de modelos 2D exige criatividade e habilidades artísticas. Entretanto, por não haver tempo hábil suficiente para seu desenvolvimento no corrente ano, buscou-se explorar os sprites disponibilizados pela própria comunidade de desenvolvimento da plataforma utilizada para o desenvolvimento, o que propiciou a escolha de personagens e cenários que se encaixem na narrativa do jogo, bem como possibilita alterações futuras para outros modelos que venham a ser disponibilizados.
A escolha da plataforma Unity revelou-se acertada devido à sua popularidade e robustez no desenvolvimento de jogos. A Unity oferece uma ampla gama de recursos e suporte tanto para a criação de ambientes bidimensionais quanto tridimensionais, o que foi essencial para dar vida ao mundo imaginado pelo grupo durante a elaboração do projeto do jogo. Também se mostrou necessário o aprendizado da linguagem de programação utilizada pela plataforma, o C#, fato que se mostrou interessante e também desafiador ao grupo. Além disso, a utilização da linguagem de programação C# permitiu implementar funcionalidades avançadas e interações complexas.
Contudo, poucos dias antes do início da escrita deste estudo, a referida plataforma passou a sofrer diversas retaliações por estúdios de desenvolvimento, estúdios independentes, também conhecidos como indies, em sua maior parte. Tal problemática surgiu devido a um novo modelo de cobrança imposto pela plataforma, o qual não veio a informar previamente os estúdios, gerando imenso descontentamento da comunidade, bem como a busca por novos motores e plataformas de desenvolvimento.
O resultado esperado deste projeto é a entrega de um protótipo de jogo RPG de ação, nomeado ”Call of IFerno”. A trama do jogo se desenrola no Campus Paranavaí do Instituto Federal do Paraná, onde o jogador deve combater o monstro da dependência, evitando que seus amigos sejam reprovados. Este jogo não apenas demonstra as habilidades técnicas adquiridas ao longo do curso, mas também ressalta a importância da colaboração em equipe e da aplicação de metodologias ágeis na resolução de problemas complexos.
No âmbito do jogo desenvolvido, o projeto se trata do desenvolvimento de um protótipo não funcional de um jogo RPG, o qual tem como perspectiva do produto ser um jogo indie voltado ao lazer de seus usuários. As funcionalidades do produto são compostas por sistemas de interação e interface de usuário que tornam a experiência mais rica. Pessoas que buscam por diversão, conquistas e exploração são o perfil dos usuários que se pretende atingir. Nesta mesma senda, o ambiente operacional possui configurações mínimas acessíveis para a maior parte dos usuários, o que possibilita que tanto pessoas que já conhecem o gênero, bem como aqueles que terão seu primeiro contato por meio deste projeto possam ser capazes de desfrutar de uma experiência fluida e com mínimas dificuldades.
A escolha desta categoria, o RPG de ação, se deu de acordo com a classificação de Bartle (1996), que descreve os quatro arquétipos de jogadores: os “conquistadores”, “exploradores”, “assassinos” e “socializadores”. O público-alvo do produto em desenvolvimento é composto principalmente de “conquistadores” (aqueles que buscam diversão por meio de conquistas) e “exploradores” (aqueles que buscam descobrir novas experiências). Em razão do jogo em desenvolvimento não possuir função multiplayer tampouco constar em planos futuros, os perfis de ”socializador” (jogadores que buscam diversão por meio de interação social) e “assassino” (jogadores que desfrutam da competição e conflito) não estão incluídos no público-alvo deste projeto.
Em síntese, o desenvolvimento deste projeto representou uma valiosa oportunidade de aplicação prática dos conhecimentos adquiridos ao longo do curso de Engenharia de Software, as quais se mostraram fundamentais para orientar a criação e implementação bem-sucedida do protótipo, refletindo a importância da abordagem metodológica no desenvolvimento de aplicações complexas, como os jogos. Não obstante, a escolha das metodologias ágeis, a superação de desafios técnicos e criativos, bem como a exploração do potencial dos jogos RPG destacam a importância deste estudo de caráter multidisciplinar.
References
BARTLE, R. (1996). Hearts, clubs, diamonds, spades: Players who suit muds. Journal of MUD research, 1(1):19.
SÁ, C. D.; PAULUCCI, L. (2021). Desenvolvimento de um sistema de RPG para o ensino de física. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 43.
PARRISH, A. (2023). Unity has changed its pricing model, and game developers are pissed off. The Verge. Disponível em: https://www.theverge.com/2023/9/12/23870547/unit-price-change-game-development. Acesso em: 2023-10-02.
ROSA, A. B. et al. RPG: uma proposta de gamificação para o novo ensino médio. In: Anais do Seminário Regional de Extensão Universitária da Região Centro-Oeste (SEREX), n. 5, p. 513–518, 2021. ISSN 2764-1570.
SCHELL, J. (2019). The Art of Game Design: A Book of Lenses. 3. ed. CRC Press.
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