Projetos de Extensão na Graduação
uma experiência profissional na Engenharia de Software
Palavras-chave:
Projetos de Extensão, Engenharia de Software, GraduaçãoResumo
1. Introdução
Os cursos de graduação oferecidos nas instituições brasileiras geralmente apresentam uma matriz curricular. Nesta matriz, um conjunto de disciplinas, cada uma com uma ementa específica, é proposto. Estas disciplinas visam a formação técnica e profissional dos seus estudantes e contemplam os conteúdos necessários para que o estudante possa ingressar no mundo do trabalho.
Em especial nos cursos voltados para a área da informática, e comum encontrar disciplinas em séries mais avançadas contendo em seus nomes palavras como "tópicos", "tópicos especiais", "tópicos avançados", entre outros, com uma ementa mais livre. Estas disciplinas tendem a transmitir conhecimentos mais atualizados, visto que a tecnologia possui um avanço contínuo.
O curso universitário em si, de forma individual, oferece aos estudantes a possibilidade de capacitação e habilitação ao trabalho. Entretanto, existe a necessidade de fazer com que os estudantes possam interagir com a comunidade externa de forma a levar conhecimentos para a comunidade e também trazer conhecimentos adicionais para serem aplicados ao ensino. De acordo com [SOUZA SANTOS et al. 2016], esta interação dos estudantes com a comunidade pode ser por meio de "programas, projetos, cursos, eventos, publicações" entre outras formas. A extensão visa fornecer serviços à comunidade, tanto interna quanto externa à instituição.
O Ministério da Educação ([MEC 2018]) publicou a Resolução N° 7, de 18 de dezembro de 2018, instituindo diretrizes para a execução de atividades de extensão nos cursos superiores. Para [FIGUEIREDO 2021], a extensão permite ao estudante desenvolver habilidades e competências importantes para a solução de problemas, em especial, solucionar problemas da sociedade. Com isso, a extensão permite formar cidadãos para o mundo do trabalho e também para a vida, por meio da troca de experiências com a sociedade.
A extensão, por si só, não possui um impacto tão significativo. De acordo com o exposto por [NETO et al. 2012], a extensão universitária deve articular o Ensino e a Pes-quisa, como forma indissociável. Com este tripé Ensino-Pesquisa-Extensão, é possível haver uma relação transformadora entre a Universidade e a Sociedade. A sociedade oferece oportunidades de praticar conhecimentos, enquanto que universidades fazem reflexão teórica acrescida do conhecimento adquirido.
O Instituto Federal do Paraná (IFPR) é uma instituição pública, gratuita, mantida pelo governo federal. Oferece cursos de ensino médio profissionalizantes, cursos superiores e de pós-graduação. Por meio da PROEPPI (Pró-reitoria de Extensão, Pesquisa, Inovação e Pós-graduação) e AGIF (Agência de Inovação do IFPR), oferecem anualmente editais de ensino, pesquisa e extensão. Nestes editais, docentes podem submeter projetos que passam por avaliação e os projetos com maior classificação são selecionados para implantação de bolsas de estudo, tanto para alunos de ensino médio/técnico quanto superiores. Além destes projetos contemplados por bolsas de estudo, os docentes também são incentivados a desenvolverem projetos com alunos voluntários.
Este trabalho tem o objetivo de relatar a experiência em oferecer um projeto de extensão na área de Engenharia de Software, contemplado por bolsa de estudos, a alunos do curso superior em Bacharelado em Engenharia de Software do IFPR Campus Para-navaí. Como objetivo secundário, pretende-se avaliar a importância deste projeto na vida dos estudantes bolsistas e dos estudantes participantes das atividades de extensão.
2. Projeto de Extensão
O projeto de extensão chamado "Uma abordagem em Dart e Flutter para Desenvolvimento Mobile Híbrido" foi submetido ao edital n° 04 de 04 de Fevereiro de 2021 - Edital Unificado das ações de extensão - PIAE/PIBEX 2021. O projeto foi selecionado para execução contendo duas bolsas de estudos: uma bolsa oferecida pelo IFPR e uma oferecida em parceria com a Fundação Araucária (instituição de fomento de pesquisa no estado do Paraná).
Para a seleção dos candidatos às bolsas de estudo, o projeto foi divulgado em redes sociais e em grupos de whatsapp dos alunos do curso de Bacharelado em Engenharia de Software. Aos interessados, estes deveriam preencher um formulário online informando seus dados (nome, registro acadêmico e série atual). A seleção ocorreu por meio de entrevistas com os estudantes, na ordem em que as inscrições foram recebidas. Por meio da entrevista foi possível identificar os estudantes que possuíam melhor aptidão com a tecnologia e desenvoltura para ministrar um curso de extensão para a comunidade interna e externa.
O projeto contou com a participação de dois alunos bolsistas e dois alunos voluntários. As atividades planejadas para desenvolvimento neste projeto são:
- Levantamento bibliográfico: os estudantes deveriam selecionar sites, livros, cursos online e videos sobre linguagens e tecnologias para estudo. O tempo estimado foi de 2 meses;
- Estudo sobre linguagens e frameworks: os estudantes deveriam estudar sobre as tecnologias selecionadas. O tempo estimado foi de 6 meses;
- Desenvolvimento de casos de estudo: os estudantes deveriam elaborar pequenas aplicações que continham os códigos e teorias estudados a fim de exemplificar os
assuntos estudados. O tempo estimado é de 2 meses; - Desenvolvimento de material didático: conforme os estudantes fossem aprendendo as tecnologias e desenvolvendo os casos de estudo, todas as informações deveriam ser documentadas em formato de slides. Tempo para a atividade estimado em 3 meses;
- Divulgação, inscrição e seleção de participantes: os estudantes estariam aptos a fornecer um curso para a comunidade. O tempo estimado é de 1 mês;
- Execução do curso de extensão: trazer a comunidade externa para dentro da instituição. Tempo estimado da atividade é de 3 meses, com carga horária de
76 horas/aulas.
Após o quarto mês do projeto, um dos estudantes voluntários solicitou o desligamento do projeto. O motivo apresentado foi que ele teria sido contratado para desenvolver estágio em uma empresa de software. Após o oitavo mês, um dos bolsistas também solicitou o desligamento do projeto, visto que recebeu uma proposta de emprego em uma empresa da região. Ambos os estudantes relataram que a participação no projeto foi essencial em sua formação para que pudessem estar aptos a iniciar suas atividades profissionais. Neste ponto do projeto, um aluno voluntário tornou-se bolsista, em substituição ao aluno desistente.
O curso de extensão foi oficialmente ofertado para a comunidade. Por meio da divulgação em rede social e diversos grupos de whatsapp e emails de diferentes turmas e instituições, os participantes puderam se inscrever para participar do projeto. Ao todo foram ofertadas 25 vagas para a comunidade, sendo que destas, apenas 15 foram ocupadas por estudantes de nível médio/técnico ou superior do IFPR. Dez das vagas foram ocupadas por estudantes de outras instituições e profissionais de empresas, além de desempregados.
O estudante que passou a receber a bolsa finalizou os 12 meses do projeto, iniciando em seguida em um emprego formal com carteira de trabalho. O segundo bolsista ainda possuía um período de 3 meses para completar o período do projeto quando solicitou seu desligamento, prestes a iniciar uma segunda turma do curso de extensão com a comunidade. Conforme o estudante, uma proposta de emprego foi ofertada com maior salário e oportunidade de efetivação na empresa. Com isso, um novo estudante foi selecionado para reiniciar as atividades do projeto, visto que não existem voluntários e lista de espera.
3. Conclusões
Por meio da execução deste projeto, conclui-se que as atividades de extensão foram fundamentais na formação dos estudantes participantes, visto que todos os estudantes (bolsistas e colaboradores) foram contratados em empresas da região para atuarem como desenvolvedores de softwares. Mediante relato destes estudantes, a participação neste projeto foi fundamental, aliado à qualidade do ensino ofertado aos estudantes, para a aquisição dos conhecimentos, formação de currículo e desenvoltura dos soft-skills para conseguirem a oportunidade de iniciarem suas vidas profissionais. Desta forma, a curricularização da extensão tende a propiciar estas oportunidades a todos os estudantes.
Referências
FIGUEIREDO, S. C. G. (2021). Atividades de extensão: a curricularização da extensão no ensino superior. PRODUÇÃO ACADÊMICA E PLURALIDADE, page 229.
MEC (2018). Resolução nº 7, de 18 de dezembro de 2018. Ministà rio da Educação.
NETO, L. M., Rodrigues Pereira, A., da Silva, F. M., and Felippe, S. (2012). Universidade e compromisso social: Atividades de extensão sob a ótica da gestão social. Pensamento & Realidade, 27(2).
SOUZA SANTOS, J. H., Rocha, B. F., and Passaglio, K. T. (2016). Extensão universitária e formação no ensino superior. Revista Brasileira de Extensão Universitária, 7(1):23- 28.
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