Sistemas de Software Inclusivos
Estudo preliminar de uma realidade primordial nas escolas do campo
Palavras-chave:
Inclusão, Escola do Campo, Educação Inclusiva, Sistemas de SoftwareResumo
A educação inclusiva é, sem dúvida, um ponto central nos diversos ambientes que vivenciamos tais como, familiares, de trabalho, de lazer, escolares, enfim, em todas as situações do nosso cotidiano [AMIRALIAN, 2009]. Ela exige profundas transformações no sistema educacional, que transcorre desde a revisão da formação inicial dos professores até a sensibilização das diferenças presentes no conjunto do alunado que constitui a Escola [MACIEL, DE MENEZES, 2019].
Entretanto, um dos principais obstáculos na consolidação da educação inclusiva é o despreparo dos professores para receberem em suas salas de aula alunos com as mais variadas deficiências [DA SILVEIRA, et al. 2019]. Atrelado a esse obstáculo, destacamos também os equívocos quanto a adoção das tecnologias assistivas por professores no processo de ensino e aprendizagem de seus alunos com deficiência.
Tecnologia Assistiva é utilizada para identificar todo o arsenal de recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência. Dentre clas, podemos mencionar os Sistemas de Sofiware Inclusivos (SSI), os quais são programas de computadores originados a partir das necessidades de uma pessoa com deficiência [OLIVEIRA, 2002].
Na prática, o sucesso da educação inclusiva também depende da estrutura organizacional na qual os professores e alunos estão inseridos. E nesse contexto, três aspectos elementares determinam sua potencialidade e sua efetividade no ambiente escolar: (i) analisar a viabilidade de incorporação da tecnologia assistiva nas atividades escolares, (11) refletir junto aos professores sobre como emprega-las (p. ex. conteúdo, objetivos e avaliação) e (iii) oportunizar aos professores capacitação técnica essencial.
Assim, nesse trabalho abordamos o primeiro aspecto elementar focando especificamente sobre quais recursos estão disponíveis nas escolas do campo do Município de Posse-GO e o conhecimento existente por parte dos professores de apoio da escola no contexto de SSI. Deste modo, visando guiar nossa investigação, definimos 2 Questões de Pesquisa
(QP) vide Tabela 1:

Para responder nossas QPs, iniciamos a primeira coleta de dados de um total de 12 que serão realizadas até o final desta pesquisa. Deste modo, nossa primeira coleta de dados envolveu a Escola Estadual Povoado Nova Vista, situada no Povoado Nova Vista no Município de Posse-GO. Atualmente, essa escola do campo possui 4 (quatro) professores de apoio na docência/ensino de alunos com deficiências motora, auditiva ou intelectual. Além disso, 75% desses professores possuem graduação na área de educação ou afins e, 50% desses professores possuem especialização na área de educação inclusa ou afins.
Nossa técnica de coleta de dados é baseada em um formulário eletrônico (Survey online). Salienta-se que para participar do estudo, todos os professores de apoio assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Eles também preencheram um formulário de caracterização com questões objetivas para nos informar sobre sua experiência acadêmica e profissional. A Figura 1 apresenta as 3 (três) fases da nossa metodologia de pesquisa (i.e. planejamento, desenvolvimento e execução) e suas respectivas atividades, as quais são classificadas como: (i) finalizadas (tom verde), (ii) em andamento (tom azul) e, (iii) futuras (tom amarelo). Por fim, verifica-se que as fases possuem uma possibilidade de retroalimentação (refinamento) baseado principalmente na primeira execução.
Figura 1: Metodologia de Pesquisa
Visando responder nossa QP, inferimos aos professores de apoio questões referentes a estrutura ofertada pela escola do campo. Sendo assim, em relação a recursos didáticos para ensino inclusivo, 75% dos professores de apoio informaram que falta alguns recursos no ensino regular para alunos com deficiência. Contudo, os mesmos professores também informaram que a escola sede recursos como sala de informática e sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE) para mediar o ensino ao aluno com deficiência. Diante dos achados expostos, temos a seguinte descoberta:
Descoberta 1: A escola carece de outros recursos específicos para o atendimento de alunos com deficiência além da sala de informática e da sala AEE.
O espaço escolar deve ser um ambiente cada vez mais fascinante aos nossos jovens e adolescentes. Neste sentido, torna-se necessário que os professores e gestores busquem constante inovação no processo ensino e aprendizagem visando a transformação do espaço escolar. E essa inovação pode ser alcançada através da adoção de conceitos teóricos e práticos provindos de outras áreas do conhecimento como por exemplo a computação e entretenimento. Diante dessa descoberta temos a seguinte recomendação:
Recomendação: Visando tornar o ambiente escolar ainda mais admirável pelos seus alunos os professores poderiam utilizar recursos provindos de outras áreas do conhecimento, tais como sistemas de software inclusivos em suas aulas.
Visando responder nossa QP2, inferimos aos professores de apoio questões referentes ao conhecimento de SSI. Deste modo, nossos resultados demonstraram que 75% dos professores de apoio nunca utilizaram SSI. Por outro lado, esses mesmos professores reportaram que utilizam outros recursos pedagógicos direcionados aos alunos com deficiência. Essa informação é confirmada pela fala do P2: "Procuro pesquisar na Internet vários recursos e adapto para esse aluno com deficiência intelectual". E, reforçada pela fala do P4: "Imagens, desenhos, recortes colagens". Embora 25% dos professores de apoio tenham informado que utilizam em suas aulas SSI como livros digitais, para promover a participação do aluno em aula. Em contrapartida P1 relatou ter dificuldades por precisar de acesso a internet para usar outros SSI. Diante dos achados expostos, temos a seguinte descoberta:
Descoberta 2: A maioria dos professores de apoio da escola do campo não utilizam sistemas de software inclusivos.
Essa descoberta demonstra uma oportunidade para que os gestores possam alicerçar um conhecimento ainda mais sólido na adoção de tecnologias assistivas, tais como sistemas de SSI através dos projetos de extensão. Neste contexto, podemos mencionar o projeto desenvolvido pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) com o objetivo de intervir pedagogicamente em um Laboratório de Informática, explorando o computador como recurso didático à alunos com deficiência (CARVALHO; PAIVA; BARBOSA; MÁXIMO, 2008). A partir dessa descoberta temos a seguinte recomendação:
Recomendação: Os gestores poderiam realizar parcerias com Instituições de Ensino Superior visando a elaboração de projetos no intuito de atualizar seus professores.
Ao final desse projeto esperamos não só identificar as lacunas existentes em relação adoção de SSI nas escolas do campo do município de Posse-GO, mas também contribuir na capacitação/atualização dos professores de apoio desta região por intermédio da produção do conhecimento sobre essa tecnologia assistiva de modo a superarem as lacunas de conhecimento existentes até o presente momento.
Referências
AMIRALIAN, M.L.T.M. (2009) Comunicação e Participação Ativa: a Inclusão de Pessoas com Deficiência Visual. In: _(Org.). Deficiência Visual: perspectivas na contemporaneidade. São Paulo: Vetor. p. 19-38.
CARVALHO, M. D. B.; PAIVA, C. M. B.; BARBOSA, V. L. B.; MÁXIMO, S. J. A. B. (2008) Informática, inclusão e cidadania: projeto de extensão na APA/João Pessoa - Fase VII.
DA SILVEIRA, A. M.; DA SILVA, H. B.; DA SILVA MAFRA, J. (2019) Educação inclusiva no Brasil. Cadernos da FUCAMP, v. 18, n. 33.
MACIEL, E. C.; DE MENEZES, R. R. (2019) DESAFIOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA EM TEMPOS DE EDUCAÇÃO ESPECIAL. Semana da Diversidade Humana (ISSN: 2675-1127), n. 1.
OLIVEIRA, S.S. (2002) Formação continuada de professores e informática educativa na escola inclusiva. São Paulo.
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